Rede Accorhotels compra casario do
Largo do Boticário para fazer um hostel



Depois de anos de publicar como estava se perdendo esse canto histórico, finalmente uma boa notícia!

Marcus Monteiro, presidente do Inepac, o promotor Felipe Cuesta e a representante da rede Accor, Michelle de Oliveira MorkoskiNa foto, Marcus Monteiro, presidente do Inepac, o promotor Felipe Cuesta e a representante da rede Accor, Michelle de Oliveira Morkoski

A rede Accorhotels comprou as seis casas que compõem o conjunto arquitetônico do Largo do Boticário, no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, e vai fazer um hostel.

A empresa se comprometeu em realizar a restauração completa do casario, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1987, repeitando o projeto original.

"São duas décadas de abandono. O processo foi uma luta, e essa vitória tem que ser comemorada pela cidade do Rio", diz Marcus Monteiro, presidente do Inepac.

FONTE – OGLOBO.GLOBO.COM-POR MARIA FORTUNA-18/05/2018 14:36

Lei que permite revitalizar construções no Largo do Boticário entra em vigor
Projeto libera atividades econômicas desde que sejam mantidas as características arquitetônicas

POR PATRICIA DE PAULA-O GLOBO- 11/04/2018 11:16 / atualizado 12/04/2018 13:32
Agência O Globo / Domingos Peixoto/27-02-2018


Revitalização. Processo de mudança no local está sendo acompanhando de perto pelo Ministério Público

De acordo com o texto, “entende-se por reconversão dos imóveis tombados a que se refere esta Lei Complementar o conjunto de intervenções arquitetônicas que vise a assegurar a manutenção de suas estruturas e elementos construtivos, assim como sua permanência na paisagem urbana e no ambiente cultural, por meio de uma nova função ou uso apropriado, de forma a promover sua reintegração à realidade social, cultural e econômica.

A lei foi aprovada pela Câmara Municipal do Rio e entrou em vigor no dia 14 de março.

Segundo Crivella, os proprietários dos imóveis poderão, a partir de agora, obter meios de explorá-los economicamente, aplicando parte desses recursos na restauração e manutenção dos casarios.

Até então, sua destinação era exclusivamente residencial.

— A lei prevê que a estrutura e os elementos construtivos deverão ser mantidos e que todas as intervenções sejam autorizadas pelos órgãos competentes.
Assim, estão criadas as condições para que esta parte importante da memória carioca seja preservada — declara Crivella.

Para o vereador Fernando William (PDT), autor do projeto junto com o vereador Cesar Maia (DEM), a revitalização vai fomentar a economia e o turismo, uma vez que o Largo do Boticário fica perto da entrada para o Cristo Redentor, um dos cartões-postais da cidade.

— O Rio tem vários locais históricos com papel extremamente relevante para a cidade. Mas à medida que foram tombados, os proprietários perderam a chance de fazer qualquer negócio com eles — diz William. — A proposta é revitalizar sem alterar as características das construções.

O conjunto arquitetônico já está sendo negociado pela rede de hotéis Accor. Herdeira das residências de números 20, 26, 28 e 30, Sybil Bittencourt é representada pela corretora Sergio Castro Imóveis. Segundo o diretor Cláudio Castro, as negociações para a venda estão adiantadas, mas seguem em sigilo (corre uma ação contra a proprietária, determinando a reforma das construções, mas ela alega não ter recursos).

— O que posso garantir é que será um negócio lindo para a cidade — afirma Castro.

Estima-se que a rede invista R$ 10 milhões para a compra do casario, mais R$ 50 milhões para o seu restauro. Procurada, a rede Accor informou que ainda não divulgaria informações a respeito. O processo está sendo acompanhado pelo Ministério Público estadual e também pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), uma vez que o local é tombado pelo órgão desde 1990.

— Acredito que qualquer projeto de revitalização é melhor do que o abandono. Vivemos um momento difícil para o país. Se não flexibilizarmos as leis, perderemos nosso patrimônio cultural — diz Marcus Monteiro, diretor do Inepac.

O arquiteto Ernani Freire, que assina o projeto e participou da revitalização da Casa Daros e do Parque das Ruínas, adianta apenas que talvez seja a última chance de requalificação do local:

— A compra do conjunto de casas resolve a requalificação do largo inteiro. Pois, mesmo com a lei nova, dificilmente um empresário comprará uma casa sem saber o que vai ter ao lado.

A AccorHotels informa que sempre avalia todas as oportunidades do mercado e está aberta a negociações.

    Veja tambem nossa pesquisa realizada em Julho-2007, com muitas fotos.