Um “deus carioca” com nome de “deus grego” no Sambódromo do Rio

Elegância, simpatia, charme, encanto... Tudo sobra em Manoel Dionísio, O MESTRE DIONISIO! No Espaço Centro Cultural dentro do Sambódromo (hoje desativado pelas reformas, funcionando na Cidade do Samba), uma visita não era completa como quando ele estava no lugar e cruzava umas palavras com o grupo de turistas. Nem é necessário explicar que estamos frente a uma celebridade do Carnaval do Rio. Um verdadeiro Carioca, porém, nascido em Alem Paraíba, Minas gerais, e desde os 9 anos morando na Capital, no Rio! “Fui engraxate quando morava na Praia do pinto. Aos 12 anos comecei a participar do teatro na comunidade”. Morou depois em Pavão Pavãozinho, onde criou a família, e foi, entre tantas coisas, diretor da ainda existente Escola de Samba Alegria da Zona Sul.


Lembra feliz que na época que foi parte da Mangueira comprou casa em dois anos! “Outros tempos!”. E logo confessa que é Salgueirense porque isso não significa dinheiro, mas sim uma enorme felicidade. Ultimamente, em 2009 e 2010, participou junto à tantas vezes ganhadora Beija Flor.

“Foi em 1955 quando integrei o ballet afro-brasileiro da Mercedes Batista, a primeira bailarina negra do Municipal, que a minha vida mudou”. A luz de show, a dança e carisma entraram nele e nunca mais abandonaram a este excelente artista.

Ele já fez tanta coisa, que seria muito para listar aqui, mas, sem dúvidas, ajudar a criar o espaço que divulga o Carnaval aos Turistas no Sambódromo, faz ele merecer medalha de Embratur. Mas ele já ganhou várias medalhas e honras, até uma de ouro por mérito artístico da dança do Conselho Internacional de França. Na Europa existe outro país presente na vida do Dionísio, ele morou 14 anos na Alemanha, de ´68 até ´82, quando foi parte do grupo “Os Diabólicos do Samba”.

Como trabalho social, deve-se destacar a coordenação da Escola de Mestre Sala e Porta-Bandeira é um trabalho que forma novas gerações para que essa enorme máquina que é o carnaval Carioca não pare, alimentada com o talento de muitos, e a herança que deixam para novas gerações.

Dionísio não fica no passado, em 2010 se apresentou no teatro na excelente obra Arquitetura do Samba, e opina duramente sobre a incorporação de culturas estrangeiras dentro do desfile da Sapucaí: “Temos muita coisa nossa para mostrar melhor que o Homem-aranha! E agora até temos Carnavalesco se inspirando na Disney, e isso não é necessário”.









Não é a toa que o Dionísio, o outro, foi deus das festas e celebrações na Grécia! Aqui no Rio, este nosso Dionísio, é um carioca de alma que faz honra ao seu nome e mantém viva a arte e a alegria do Carnaval, oferecendo sorrisos verdadeiros a quem visita Rio e tem a possibilidade de conhecer um pouco mais de uma festa única celebrada uma vez por ano e vivida todos os dias por quem cuida sua existência.


Gerardo Millone