DIVULGA     |
O Brasil é o único país do mundo que chega ao orgasmo: a festa do Carnaval é o ápice de um ano de excitação. O dia primeiro de março deveria ser o primeiro dia do ano. Assim como existe o ano novo chinês e judaico, deveria existir o ano novo brasileiro. Terminam as festas e começam as aulas. Fim das férias e começo do Outono. As águas de Março fechando o verão. Muitos estudiosos afirmam que Jesus Cristo nasceu no dia primeiro de Março.
Perguntado sobre o carnaval brasileiro, o filosofo contemporâneo Domenico de Masi lamentou o fato de que durasse uma só semana. O idealizador do conceito do Ócio Criativo defende o carnaval o ano inteiro indo contra a ortodoxia workaholic importada da cultura anglo-saxônica.
O carnaval de rua do Rio de Janeiro viveu um renascimento. Esse processo foi motivado e incentivado pela Prefeitura do Rio que atendeu aos pedidos da população e corrigiu o monopólio causado pelo desfile das escolas de samba. O diretor de cinema Franco Zeffirelli ficou emocionado ao assistir pela primeira vez o desfile das escolas, Exclamando que era uma Ópera do Asfalto; O maior espetáculo teatral do mundo. A vitória do carnavalesco Paulo barros é a prova disso. Como diria um amigo meu: o melhor da festa é preparar a festa. A preparação do desfile começa em março com a escolha do enredo. Os galpões das escolas começam a encher desde agosto com a escolha dos sambas. Logo em seguida os ensaios. A prova das fantasias é uma diversão. Quem vem ao Rio só para desfilar não sabe o que está perdendo.
O desfile das campeãs é algo recente criado com um objetivo comercial de prolongar o carnaval e atender a necessidade dos turistas. Mas acabou se tornado um ritual carregado de simbologia com foliões desfilando com
menos responsabilidade e a escola de samba mais leve e solta, sem a tensão causada pela votação. E o mais bacana desse dia é o ritual de se despir ao final do desfile jogando a fantasia para o público na praça
da apoteose.
Acho incrível a capacidade de uma escola de samba reunir cinco mil pessoas. Apesar da equipe de apoio organizar a multidão, é uma ordem superior e natural que orienta essa gente toda. Mas é preciso acreditar nesse processo: a criação no meio do caos. Assim é o desfile da nossa vida também. O excesso de ordem e disciplina muitas vezes diminui a emoção e a espontaneidade, comprometendo a qualidade do nosso enredo. Tenho cada vez menos paciência para aquele papo superficial de fim-de-semana que mal passa do nível um, nem aceito facilmente a equação triste: de trabalho estressante com diversão alienante. Mas nem por isso faço coro com as pessoas que acham que o carnaval seja supérfluo ou que a população deveria investir esse dinheiro em coisas fundamentais. Existe coisa mais fundamental do que a saúde? Se pensarmos que 60% das doenças são de origem psicossomáticas não existe remédio melhor para o povo brasileiro do que tirar férias da realidade e investir no pacote da alegria e da fantasia do carnaval. Nem precisa ir pro aeroporto para decolar! Carnaval, esperança: Que gente longe, viva na lembrança. Que gente triste possa entrar na dança. Que gente grande saiba ser criança. (C.Buarque) Enviado por Antônio Cava via e-mail 19-02-2010. |