
Avenida Presidente Vargas: Transformações Urbanas e Impactos Sociais
Concepção e Planejamento
A Avenida Presidente Vargas surgiu de um projeto elaborado pela Comissão do Plano da Cidade, sob liderança do engenheiro José de Oliveira Reis. Inicialmente, a proposta trazia o nome de Avenida 10 de Novembro, mas foi engavetada por Getúlio Vargas. Posteriormente, a ideia ganhou corpo ao ser apresentada como homenagem ao então presidente, que teria perguntado: “Quando é que fica pronta?”, conforme relato do historiador Milton Teixeira.
Demolições e Obras
Para a construção da avenida, foram demolidos cerca de 1000 prédios comerciais e residenciais, incluindo importantes marcos urbanos: a prefeitura, quatro igrejas do século XVIII e a emblemática Praça 11 de Junho, reconhecida como berço do samba. As obras, realizadas às pressas, concluíram a avenida em apenas dois anos. O historiador destaca que, por conta da Segunda Guerra Mundial, justificava-se a obra como via de fuga em caso de bombardeio. Entre os edifícios demolidos, encontrava-se a igreja de São Pedro dos Coléricos, sobre a qual circulava uma crença: “Quando Getúlio morresse, não entraria no céu”.
Financiamento e Consequências Sociais
O financiamento da avenida foi garantido pela venda dos terrenos lindeiros à nova via. No entanto, a população local ficou sem destino após o bota-abaixo, processo que contribuiu significativamente para a favelização e a ocupação da Zona Norte, segundo o historiador. Como alternativa ao traçado, havia a sugestão de alargar a Marechal Floriano, mas foi rejeitada por Getúlio: “Avenida com nome de presidente não podia ser torta”.de Urbana
A Avenida Presidente Vargas proporcionou novas opções de entrada e saída do centro da cidade. Dados da CET-Rio indicam que, na altura da Rua Regente Feijó, sentido Praça da Bandeira, circulam diariamente 48 mil , no sentido oposto, registram-se 55 mil carros por dia.
Janaina Ferreira e Karina Botino
Jornal do Brasil, 5 de setembro de 2004.




